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Thiago Constantino
Suas escolhas definem seu destino
Textos

Eu Ainda Estou Aqui.

Hoje, 04/10/2026

14 anos e 4 meses depois,

eu voltei ao lugar onde um dia

parecia que tudo terminaria.

 

Olhei para o alto,

olhei para o chão

e pensei:

 

foi daqui.

 

Foi daqui que eu caí.

Foi aqui que a vida

mudou de direção.

Foi daqui que surgiu minha salvação.

 

Disseram que talvez

eu não voltasse a andar,

que talvez não voltasse a falar,

que talvez nem estivesse aqui

para a minha história contar.

 

Mas eu estou.

 

Estou de pé.

 

Com marcas no corpo,

sequelas na mente,

momentos em que me confundo

e preciso me encontrar novamente.

 

E tá tudo bem.

 

Demorei para compreender

que me perder por alguns instantes

não significa ter me perdido para sempre.

 

Às vezes,

eu só preciso procurar no meu interior,

continuar transformando cada dor em amor.

 

Durante muito tempo,

tive medo da morte.

 

Medo de que qualquer dia

fosse o último.

 

Medo de palavras,

de comentários,

de sinais,

de tudo aquilo que vinha na mente

para me amedrontar e transformar

em anúncio do fim.

 

Mas hoje eu voltei

ao lugar onde quase morri

e não encontrei a morte.

 

Encontrei a vida.

Não senti tristeza.

Não senti revolta.

 

Dei uma volta e senti a natureza.

A chuva caiu e trouxe clareza.

 

Senti paz.

Senti gratidão

e amor no coração.

 

Olhei para aquele lugar

e pensei:

eu ainda estou aqui.

 

E talvez seja essa

a resposta que eu procurava

e precisava sentir.

 

Eu não preciso saber

quanto tempo ainda tenho.

 

Não preciso decidir hoje

tudo o que será amanhã.

 

Aprendi a viver

um dia de cada vez.

 

Agradeço quando acordo.

Agradeço por respirar,

por poder caminhar.

 

Agradeço por cada manhã

e cada detalhe que a vida oferece.

 

Pois isso

é mais uma oportunidade de viver.

É saber viver.

 

Também aprendi

que nem todo lugar

merece minha permanência.

 

E que, sim,

eu tenho que ter

cada vez mais paciência.

 

Que escolher ir embora também

não significa fugir.

 

Às vezes,

é apenas compreender

onde vale a pena

gastar minha energia.

 

Eu posso chegar,

ajudar no que puder,

permanecer enquanto ainda fizer sentido

e depois partir.

 

Sem olhar para trás.

Sem peso

que não é meu.

 

Porque tudo

eu agradeço a Deus.

 

Não preciso mais

ficar onde minha paz

começa a desaparecer.

 

Dói?

Dói.

Principalmente

quando vem da família.

 

Dói perceber distâncias

onde gostaria de encontrar acolhimento.

 

Dói ouvir palavras

que machucam.

 

Mas hoje eu entendo

que não controlo

o que pensam de mim.

 

Podem olhar meu corpo.

Meu jeito de andar.

Meu jeito de falar.

Meu jeito de rir.

Meu jeito de ser.

Podem me desmerecer,

me esquecer,

porque isso eu não vou fazer.

 

Podem rir.

Podem me julgar.

E, se for para rir,

talvez eu até ria junto.

 

Porque o olhar dos outros

não me define mais.

 

Saber quem eu sou

e não olhar com dor para trás

é o que me traz paz.

 

Eu sei quem eu sou.

Eu sei o caminho

que percorri para chegar até aqui.

 

Porque a minha raiz

me trouxe até aqui.

 

Hoje reencontrei pessoas

que fizeram parte da minha história.

 

Amigos de infância.

Amigos da bola.

Gente do bairro.

 

E ouvi:

 

“E aí, Thy, você está bem?”

 

E respondi:

 

“Estou bem, mano. Estou andando.”

 

Talvez eles tenham visto

apenas o homem diante deles.

 

Mas eu conheço tudo

o que existe por trás

dessa resposta.

 

As quedas.

As dores.

As confusões.

As brigas.

Os medos.

Os dias difíceis.

 

E todas as vezes

em que precisei me encontrar novamente.

 

Ontem foi pesado.

 

Hoje foi diferente.

 

Até trabalhando com minha mãe,

entre tantas paradas pelo caminho,

percebi que um dia difícil

não precisa condenar o próximo.

 

A vida muda.

As pessoas mudam.

Eu mudo.

 

E continuo aprendendo.

 

Talvez eu ainda me confunda.

Talvez eu ainda tenha medo.

 

Mesmo que existam sequelas

que caminhem comigo

por muito tempo,

 

nenhuma delas

definem quem sou.

 

Porque hoje eu voltei

ao lugar que poderia representar

o meu fim.

 

Olhei para ele

sem fugir.

 

E percebi:

 

aquele lugar

não guarda apenas

o dia em que eu caí.

 

Aquele lugar é

a prova de que eu renasci,

que eu levantei,

que eu estou de pé,

que eu tenho gratidão e fé

e muito amor.

Que a última palavra é de Deus nosso senhor.

 

 

O que parecia ser o fim

era apenas o começo.

 

Por isso, por tudo

eu só agradeço.

 

Não quero viver tentando descobrir

quando a minha história termina.

 

Ela não acabou

por causa da bebida

ou da cocaína.

 

Vou agradecer

por cada dia

que ela continuar.

 

Hoje eu acordei.

Hoje eu vivi.

Hoje estou de pé.

 

Graças a Deus

e à minha fé.

 

Porque depois de olhar

para o lugar onde quase perdi a vida,

 

eu finalmente consegui olhar para mim

e dizer mais uma vez, em paz:

 

Obrigado, Pai.

Eu ainda estou aqui.

 

Thiago Constantino
Enviado por Thiago Constantino em 04/10/2026
Alterado em 28/10/2026
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