Hoje, tudo tem prazo de validade.
Produtos não têm qualidade.
Pessoas perderam o valor
da relação.
Tudo está na superficialidade.
Amor e amizade
entraram no modo
vaidade e utilidade.
Triste,
mas pura realidade.
A dor do outro
já não tem importância.
Essa é a discrepância
da atualidade.
O sentimento virou atraso de momento,
perda de tempo.
Sentir demais incomoda.
Se importar virou fraqueza.
Demonstrar sentimento,
para muitos, é sinal de ingenuidade.
Enquanto isso,
a ostentação virou significado
de validação.
É preciso mostrar
para provar que tem.
É preciso aparecer
para parecer alguém.
É preciso ser visto
para se sentir reconhecido.
E essa, na verdade,
é a sombra que atinge e aflige a humanidade.
Chegamos a um ponto
em que a ostentação
atinge até quem pratica caridade.
Filma a mão que estende,
mostra aquilo que oferece,
expõe aquele que recebe
e espera que o mundo reconheça
o bem que aparentemente acontece.
Mas existe uma diferença:
A ostentação pode atingir
quem pratica a caridade,
mas não aflige
quem a faz de verdade.
Porque quem faz de coração
não precisa de plateia,
aplausos ou validação.
Não transforma a necessidade do outro
em palco para sua própria monetização.
A verdadeira caridade
não alimenta a vaidade.
Alimenta quem tem fome,
aquece quem sente frio,
acolhe quem sofre
e estende a mão
para ajudar na solução.
Esse é o X da questão.
Porque o amor verdadeiro
não precisa aparecer
para existir.
A amizade verdadeira
não depende de utilidade.
E a caridade verdadeira
não precisa de publicidade.
Talvez o maior prazo de validade
da atualidade
esteja justamente naquilo
que nunca deveria vencer:
A empatia de amor do coração,
independentemente de cor, crença ou nação.