Há mais de dois mil anos,
na crucificação de Jesus,
Ele deixou seu último recado de luz.
E Jesus disse:
— “Pai, perdoa-lhes,
pois não sabem o que fazem.”
Hoje… talvez Jesus dissesse:
— “Pai, perdoa-lhes,
eles sabem o que fazem,
mas não sabem que, agindo assim,
estão adoecendo.”
Mais de dois mil anos se passaram…
e muitos sabem exatamente o que fazem,
mas continuam fazendo o errado.
Só que agora existem novas desculpas
para ocultar o peso da culpa.
A desculpa da vez é o cansaço.
O feminismo sem equilíbrio.
O machismo sem consciência.
A correria.
A pressa.
A frieza automática do cotidiano.
Mas no fundo…
muitas vezes isso é apenas
a falta de empatia
disfarçada de egoísmo,
comodismo
e grosseria.
É só prestar atenção nos detalhes
do que vem acontecendo.
E você verá…
que a humanidade está adoecendo.
Se bobear… até apodrecendo.
Talvez até retrocedendo.
Vou citar apenas um exemplo
dentre vários que já aconteceram comigo.
E provavelmente também já aconteceu
com alguém que possui alguma limitação,
alguma deficiência,
ou simplesmente uma condição menos favorável.
O que vou relatar é lamentável…
e até passivo de revolta.
Mas o mundo dá voltas.
E a vida sempre encontra um jeito
de colocar cada um
em seu devido lugar.
Eu estava no ponto de ônibus,
esperando a lotação chegar
para ir trabalhar.
Sou deficiente físico.
Tenho mobilidade reduzida.
Ando pelas ruas com uma bengala.
E por direito,
devido à minha condição,
tenho assento preferencial reservado.
Mesmo assim…
eu sempre deixo todos entrarem primeiro.
Sou quase sempre o último a entrar,
sendo que, pela lei,
eu poderia ser o primeiro.
Se o assento preferencial estiver ocupado,
não tem problema.
Hoje, graças a Deus,
eu consigo ficar em pé.
E se existir algum idoso,
ou alguém precisando mais do que eu,
eu faço questão de ceder o lugar.
Isso se chama empatia.
A lotação chegou.
Éramos três pessoas para entrar:
eu, um rapaz
e uma moça.
Eu nem havia reparado
que o assento reservado estava vazio.
Mas a moça reparou.
Entramos.
E logo vi ela sentada no banco preferencial,
virada de lado,
como se nada estivesse acontecendo.
Aquilo gerou revolta
em outra passageira.
Ela olhou pra mim com indignação
e disse:
— “Como pode, né?
É muita falta de empatia.”
Então eu respondi:
— “Tá tranquilo…
agora eu consigo ficar em pé.
É que a patricinha tá cansada.”
Eu poderia ter exigido meu direito?
Sim. Poderia.
Mas já aconteceu tanta coisa na vida
que hoje eu não gasto mais tempo
nem minha energia
com o desnecessário.
Não vale a pena perder a paz
por causa de gente sem noção,
sem educação
e sem consciência.
E esse é apenas um exemplo.
Isso acontece em vários lugares.
É só reparar.
Lutar pelos nossos direitos
é importante.
E muitas vezes necessário.
Mas se for para gerar barulho,
confusão
e diminuir a vibração da nossa mente…
às vezes é melhor não.
Porque existem batalhas
que vencemos
simplesmente escolhendo não entrar nelas.
Independentemente da hora do dia
em que algo ruim aconteça…
preservar a harmonia da nossa vibração
é o que mantém
a paz de Jesus viva
dentro do coração.
E essa é a visão
que eu quero deixar.
Para que, através da empatia,
da consciência
e da paz…
a gente realmente consiga
se conectar
com o que é divino.