Eu sou o Zé, simplesmente Zé, posso ser o Zé da graxa, o Zé da carroça, o Zé da rua ou o Zé ninguém, e tá tudo bem.
O Zé já foi gente, até nome tinha, mas todos o chamavam de pudim de pinga, o Zé tinha família, emprego, casa, conta no banco e até amigos o Zé, achava que tinha.
Mas que sina, tudo se foi e só sobrou a pinga.
Primeiro perdeu o emprego, teve que fechar a conta no banco, é o aluguel como pagar? A família resolveu lhe abandonar.
O Zé começou a perambular, depois de muito pensar,
resolveu que era hora de mudar, e disse:
essa cachaça eu vou largar!
Hoje o Zé, vive com seu cachorro, mora numa carroça, engraxa sapatos e vende livros doados para sobreviver e nunca mais voltou a beber.
Todos que com ele vão conversar, ele trata com carinho, amor e educação, é isso que ele chama de lar, por isso diz que sua família voltou e nunca mais o abandonou.
O Zé ponderou, já teve de tudo, até dinheiro tinha e não era feliz.
Hoje o Zé tem uma carroça e um cachorro para chamar de lar, aprendeu o que é amar e viver alegre a sorrir.
Se o Zé, você quiser ajudar, traga um sapato para engraxar, que com muito amor eu vou caprichar.
Zé da graxa.